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CANDIDÍASE: CAUSAS, SINTOMAS, TRATAMENTO E COMO EVITAR QUE VOLTE.

  • 16 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura
candidíase

Hoje eu quero conversar com você sobre um problema muito comum no consultório: a candidíase. Coceira intensa, corrimento branco espesso, ardência… nada disso é “normal do seu corpo” e não é algo para aguentar em silêncio.


Neste texto vou te explicar, de forma clara, o que é candidíase, por que ela aparece, como tratar corretamente e o que fazer para evitar que volte.

O QUE É CANDIDÍASE?
candidíase

A candidíase é uma infecção causada por um fungo chamado Candida, principalmente a espécie Candida albicans. Esse fungo vive normalmente na pele, na boca, no intestino e na região genital, mas em equilíbrio com o organismo. Quando esse equilíbrio se rompe, o fungo cresce em excesso e causa a infecção.

Quando atinge a região íntima, chamamos de candidíase vaginal ou candidíase vulvovaginal, e é uma das causas mais frequentes de corrimento e coceira vaginal.

Um ponto importante: a candidíase não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, embora possa piorar após relação sexual em algumas mulheres, porque a fricção e o calor favorecem o fungo.


PRINCIPAIS SINTOMAS DA CANDIDÍASE VAGINAL

Se você está sentindo algum desses sinais, acenda o alerta:


  • Coceira intensa na vagina e na vulva

  • Ardência ou sensação de queimação na região íntima

  • Corrimento branco, espesso, muitas vezes descrito como “leite talhado” ou “coalhada”

  • Vermelhidão e inchaço na vulva

  • Dor ou desconforto na relação sexual

  • Ardência ao urinar quando a urina entra em contato com a área irritada


Os sintomas podem piorar perto da menstruação, quando há mudanças hormonais que também interferem na flora vaginal.

POR QUE A CANDIDÍASE APARECE?

A candidíase geralmente surge quando ocorre um desequilíbrio da flora vaginal e da imunidade local. Entre os fatores mais comuns estão:


  • Uso recente de antibióticos

  • Gravidez

  • Diabetes descompensado

  • Imunidade baixa ou uso de corticoides e quimioterapia

  • Roupas muito apertadas e tecidos sintéticos, que abafam a região

  • Ficar muito tempo com biquíni ou roupa íntima úmida

  • Uso excessivo de absorvente diário

  • Duchas internas e sabonetes muito agressivos na região íntima


Perceba que não tem relação com “falta de higiene”, e sim com excesso de agressão à mucosa e alteração do ambiente vaginal.

CANDIDÍASE DE REPETIÇÃO: QUANDO SE PREOCUPAR?

Chamamos de candidíase recorrente quando a mulher apresenta três ou mais episódios em um ano. Nesses casos, não adianta apenas “passar uma pomadinha” toda vez. É necessário investigar com mais cuidado:


  • Como está a glicemia (diabetes)?

  • Há queda de imunidade?

  • Há uso frequente de antibióticos ou hormônios?

  • Há hábitos do dia a dia que favorecem a umidade e o calor na região íntima?


O tratamento da candidíase de repetição costuma ser mais longo e em etapas, sempre conduzido pelo médico.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

Na consulta ginecológica, avaliamos:


  • Queixas e histórico dos sintomas

  • Exame da região genital

  • Características do corrimento

  • Fatores de risco associados


Em muitos casos, o diagnóstico é clínico. Mas, quando necessário, coletamos uma amostra do corrimento para exame microscópico ou cultura, principalmente em casos de repetição ou quando há dúvida se é outra infecção (como vaginose bacteriana ou tricomoníase).

TRATAMENTO DA CANDIDÍASE: POR QUE EVITAR AUTOMEDICAÇÃO?

O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos, que podem ser:


  • Cremes ou óvulos vaginais

  • Comprimidos por via oral (em alguns casos)


A escolha do tipo de remédio e da duração do tratamento depende da intensidade dos sintomas, se é a primeira vez ou se é uma candidíase de repetição, se a paciente está grávida, se tem outras doenças associadas, entre outros fatores.


A automedicação é perigosa por alguns motivos:


  • Você pode tratar candidíase achando que é só isso, mas na verdade ter outra infecção associada.

  • Uso repetido e sem orientação pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes.

  • Em candidíase recorrente, muitas vezes é preciso um esquema prolongado, não apenas uma dose isolada.


O ideal é sempre passar por avaliação ginecológica antes de iniciar qualquer medicamento.

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA PREVENIR CANDIDÍASE?

Alguns cuidados simples ajudam muito a reduzir novas crises:


  • Preferir calcinhas de algodão e evitar tecidos sintéticos justos

  • Evitar permanecer com biquíni molhado ou roupas úmidas por muitas horas

  • Não usar duchas internas nem sabonetes agressivos na região íntima

  • Lavar a região externa apenas com água e, se necessário, sabonete suave, sem exageros

  • Evitar uso contínuo de absorvente diário

  • Ter boa qualidade de sono, alimentação equilibrada e controle de doenças como diabetes

Esses cuidados não substituem o tratamento, mas ajudam a manter o equilíbrio da flora vaginal.

MITOS COMUNS SOBRE CANDIDÍASE

Algumas ideias que escuto muito no consultório:

“Candidíase é falta de higiene”

 Não é. O problema está no desequilíbrio do fungo e na alteração do ambiente vaginal, não na “sujeira”.

“Se eu tiver candidíase, sempre preciso tratar o parceiro”

Nem sempre. O tratamento do parceiro é avaliado caso a caso, principalmente em candidíase recorrente ou se ele também tiver sintomas.

“É tudo igual: qualquer pomada serve”

Não é verdade. Existem diferentes apresentações e esquemas de uso, e nem toda coceira é candidíase.

“Iogurte, receitas caseiras e chás resolvem”

Podem até aliviar momentaneamente em alguns casos, mas não substituem o tratamento adequado com orientação médica.

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA COM URGÊNCIA?

Procure atendimento ginecológico o quanto antes se:


  • For o primeiro episódio e você não sabe se é realmente candidíase

  • Estiver grávida

  • Tiver corrimento com cheiro forte, amarelado ou esverdeado

  • Apresentar febre, dor pélvica intensa ou mal-estar geral

  • Tiver candidíase de repetição


CANDIDÍASE TEM SOLUÇÃO, VOCÊ NÃO PRECISA CONVIVER COM ISSO

Coceira, ardência e corrimento não são “normais do seu corpo” nem algo para aceitar em silêncio. Com avaliação cuidadosa, tratamento correto e ajustes de rotina, a candidíase pode ser controlada e, em muitos casos, deixar de ser um problema recorrente.


Se você sente que esses sintomas fazem parte do seu dia a dia, agende uma consulta. Vamos avaliar a causa da sua candidíase, tratar de forma segura e montar um plano para evitar que ela volte.

Sua saúde íntima merece atenção e cuidado profissional.



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